Artemec Engenharia

Avaliação de integridade em vasos de pressão: a medição que só significa alguma coisa comparada com a anterior

Espessura medida hoje é um número. Integridade é o que esse número mostra quando encontra a medição do ciclo anterior no mesmo lugar.

João Pedro BravoEspecialista em NR-13
Publicado em Leitura estimada: 8 min
Neste artigo

A avaliação de integridade em vasos de pressão costuma ser tratada como um evento: o inspetor chega, aplica o ultrassom, registra as espessuras, o relatório sai com o parecer conclusivo e o assunto encerra. O trabalho de campo pode estar impecável e ainda assim a planta não saber responder a pergunta que interessa, que é se aquele vaso está perdendo espessura mais rápido do que se esperava.

A própria NR-13 dá a pista de onde essa resposta mora. No glossário, vida remanescente é definida como a estimativa de tempo restante de vida de um equipamento ou acessório, a partir de dados coletados em ensaios e testes destinados a monitorar os efeitos dos mecanismos de danos atuantes. Monitorar é verbo de série histórica. Uma medição isolada não monitora nada.

O que a avaliação mede, e o que cada exame responde

A norma separa com precisão o que é exame externo e o que é exame interno. Exame externo é o exame da superfície e dos componentes externos, podendo ser realizado com o equipamento em operação, para avaliar a integridade estrutural. Exame interno é o exame da superfície interna e dos componentes internos, executado visualmente, para detectar corrosão, trincas, incrustações, depósitos e descontinuidades nas regiões das soldas, com o emprego de ensaios e testes apropriados.

A medição de espessura por ultrassom é o exame que a Artemec aplica de praxe em todos os equipamentos que inspeciona. Ela responde a uma pergunta específica: a parede que sobrou ainda suporta a pressão para a qual o vaso foi projetado. Quando o achado de campo indica algo além de perda de espessura, a definição do ensaio complementar cabe ao Profissional Legalmente Habilitado, e a execução depende de autorização formal, porque ensaio não contratado não entra em escopo por conta própria.

Estanqueidade responde a outra pergunta

Teste de estanqueidade e avaliação de integridade são confundidos com frequência, e a diferença muda o que a planta pode afirmar depois. A NR-13 define teste de pressão como o termo genérico que compreende as diversas técnicas de pressurização de equipamentos novos ou em serviço, com a finalidade de detectar vazamentos, atestar a resistência estrutural e verificar a estanqueidade de juntas e de outros elementos de vedação.

Ou seja, estanqueidade fala de vedação e de vazamento. Espessura fala de material remanescente. Um vaso pode passar no teste de estanqueidade e estar com a parede em condição que exige acompanhamento próximo. A Artemec executa ensaio de estanqueidade em vasos de pressão e em caldeiras, e a decisão de aplicá-lo entra no plano de inspeção junto com os demais exames, não no lugar deles.

Autoclave, reservatório de compressor e o vaso que ninguém chama de vaso

Boa parte dos equipamentos que ficam de fora da avaliação de integridade não some por descuido técnico. Some porque tem outro nome na planta. Autoclave de esterilização, autoclave de processo em indústria alimentícia, reservatório de ar comprimido, separador de ar e óleo do compressor de parafuso: todos podem ser vasos de pressão abrangidos pela NR-13 conforme o critério da alínea "b" do item 13.2.1, que alcança o vaso cujo produto P.V seja superior a oito, e da alínea "c", que alcança todo vaso com fluido de classe A independentemente do produto P.V.

O item 13.2.2 lista as exclusões, entre elas o vaso com diâmetro interno inferior a cento e cinquenta milímetros. E o item 13.2.3 fecha o raciocínio: a exclusão não exime o empregador do dever de inspecionar e executar a manutenção dos equipamentos excluídos e de outros sistemas pressurizados que ofereçam riscos, com acompanhamento ou execução por responsável técnico. Equipamento fora do campo de aplicação continua sendo um vaso sob pressão dentro da planta, com outro regime documental.

A avaliação de riscos que a norma admite, e o que ela cobra em troca

Existe caminho normativo para trabalhar com risco em vez de calendário fixo, e ele é formal. O subitem 13.5.4.5.1 permite ao estabelecimento com Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos certificado ampliar os prazos da Tabela 2 mediante metodologia documentada de inspeção baseada em risco, observado o limite de dez anos para o exame interno de vasos categoria I. O subitem 13.5.4.5.2 determina que essa metodologia seja integrada ao Programa de Gerenciamento de Riscos previsto na NR-01, com critérios, normas de referência e responsáveis pela implementação e aprovação definidos.

A avaliação de riscos, portanto, não é um documento paralelo que justifica adiar exame. Ela é uma estrutura com dono, critério escrito e integração ao PGR. Sem isso, o que existe é uma decisão sem lastro documental, e é exatamente esse lastro que a verificação alcança primeiro.

Por que centralizar os dados muda o resultado técnico

O subitem 13.3.9 admite que relatórios, projetos, certificados e demais documentos previstos na norma sejam elaborados e armazenados em sistema informatizado, com segurança da informação, assegurados autenticidade, integridade, disponibilidade, rastreabilidade e irretratabilidade. O subitem 13.5.1.7 admite o mesmo para o registro de segurança do vaso. E o item 13.3.10 exige que essa documentação permaneça à disposição de operadores, manutenção, inspeção e da CIPA, com pleno acesso assegurado pelo empregador.

Quando cada ciclo de inspeção vive em uma pasta separada, com nomenclatura própria de cada fornecedor, três coisas param de funcionar ao mesmo tempo. A espessura de hoje não encontra a de três anos atrás, então não há taxa de perda. A recomendação anterior não é localizável, então ninguém sabe se foi tratada. E a documentação não está disponível no momento em que é pedida. A centralização não é conforto administrativo: é o que transforma um conjunto de medições em avaliação de integridade com série histórica.

O que a Artemec entrega além do parecer

A Artemec começa pelo levantamento do parque inteiro, porque a lista que a planta controla e a lista de equipamentos efetivamente enquadrados quase nunca coincidem. Para o equipamento que não se enquadra, entrega documento formal de caracterização, o que evita gasto com exame que a norma não pede ali e protege a empresa da cobrança documental indevida. E devolve cada recomendação já no formato de plano de ação, com responsável nomeado, prazo definido e evidência de conclusão, dentro de um painel por unidade e por equipamento em que o histórico de medições fica comparável de um ciclo para o outro.

Referência normativa: consulte a NR-13 vigente publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O enquadramento definitivo de cada equipamento e a escolha de exames e testes dependem da análise do Profissional Legalmente Habilitado (PLH) e dos códigos aplicáveis.

O que precisa estar ligado ao mesmo vaso

Cada item abaixo perde função quando fica isolado do histórico do equipamento.

Espessuras medidas

Pontos de medição repetíveis, para que o ciclo seguinte compare o mesmo lugar.

Classe do fluido

O fluido que o vaso recebe hoje, não o do cadastro original, porque ele governa a categoria.

Mecanismos de dano previsíveis

A deterioração esperada para o material, o serviço e o ambiente daquele vaso.

Ensaios complementares

O que foi acionado por achado de campo, com a autorização formal correspondente.

Estanqueidade

Resultado do teste de pressão aplicável a juntas e elementos de vedação.

Recomendação anterior

Situação de cada item do relatório passado, com responsável, prazo e evidência.

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Perguntas frequentes

Ultrassom em vasos de pressão substitui o exame interno?

Por si só, não. A medição de espessura por ultrassom é um dos exames definidos a critério técnico do PLH pelo item 13.3.4. A substituição do exame visual interno por ensaios não destrutivos tem hipótese própria no subitem 13.5.4.6, quando o vaso não permite acesso visual por impossibilidade física.

Teste de estanqueidade em vasos de pressão vale como avaliação de integridade?

São coisas distintas. A NR-13 define teste de pressão como técnica de pressurização destinada a detectar vazamentos, atestar resistência estrutural e verificar a estanqueidade de juntas e elementos de vedação. A avaliação da perda de espessura por corrosão depende de outro exame.

Autoclave é vaso de pressão para a NR-13?

Pode ser. O enquadramento segue o item 13.2.1, que alcança vasos com produto P.V superior a oito e vasos com fluido de classe A independentemente do produto P.V, observadas as exclusões do item 13.2.2. A confirmação para cada equipamento depende da análise do PLH sobre os dados reais.

A documentação dos vasos pode ficar em sistema informatizado?

Sim. O subitem 13.3.9 admite elaboração e armazenamento em sistema informatizado, com segurança da informação e requisitos de autenticidade, integridade, disponibilidade, rastreabilidade e irretratabilidade. O item 13.3.10 exige que essa documentação permaneça acessível a operadores, manutenção, inspeção e CIPA.

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