Ultrassom de solda: o que ele encontra abaixo da superfície e onde entra no plano de inspeção
O mesmo recurso responde a duas perguntas diferentes: quanta espessura sobrou e o que existe abaixo da superfície. Confundir as duas gera número sem decisão.
Neste artigo
O teste de solda por ultrassom entra na conversa quando o exame visual chega ao seu limite. A superfície foi olhada, o cordão está aceitável, e a dúvida continua: existe alguma coisa embaixo dele. É uma pergunta que não se responde com iluminação melhor nem com mais tempo de inspeção.
Como funciona o ultrassom industrial
O equipamento trabalha com uma sonda, também chamada de cabeçote, acoplada à superfície do material com um acoplante, normalmente um gel. A sonda é deslocada sobre o metal e devolve as leituras que permitem avaliar o que existe no caminho do feixe. Antes disso vem o preparo da região a ser examinada e o planejamento do exame, que definem onde medir e o que se está procurando.
A partir desse mesmo princípio saem dois trabalhos diferentes, e a distinção importa porque cada um responde a uma decisão distinta na planta.
Duas perguntas diferentes, o mesmo recurso
A primeira é a medição de espessura. O medidor informa a espessura atual daquele ponto do equipamento, o que permite avaliar a corrosão em curso e verificar se a espessura remanescente ainda é suficiente para suportar a pressão para a qual o equipamento foi projetado e construído. É uma medida que só ganha sentido comparada com o histórico: um valor isolado descreve o presente, e a série de valores descreve a taxa de deterioração, que é o que sustenta previsão.
A segunda é a detecção de descontinuidades que não estão abertas à superfície. Um ensaio de líquido penetrante avalia trincas superficiais, porque depende do penetrante entrar por capilaridade em uma abertura acessível. Uma trinca que esteja dentro do material, ou do lado oposto ao que está sendo examinado, não é alcançada por ele. O ultrassom é o recurso que responde por essa faixa, detectando descontinuidades subsuperficiais.
Onde a NR-13 encaixa o ensaio
A norma não lista métodos de ensaio nem prescreve equipamentos. Ela faz outra coisa: coloca a decisão sobre o exame no profissional legalmente habilitado e cobra que a inspeção seja respaldada por evidência técnica.
O item 13.3.4 determina que a inspeção de segurança dos equipamentos abrangidos seja respaldada por exames e testes, a critério técnico do PLH, observado o disposto em códigos ou normas aplicáveis, e o subitem 13.3.4.1 acrescenta que o histórico do equipamento deve ser observado quando existente. Para reparo e alteração, o subitem 13.3.7.5 exige que as intervenções que envolvam mandrilamento ou soldagem em partes que operem sob pressão sejam objeto de exames ou testes para controle da qualidade, com parâmetros definidos por PLH conforme códigos ou normas aplicáveis. E o subitem 13.5.4.6 trata do caso extremo: vasos de pressão que não permitam acesso visual para o exame interno ou externo por impossibilidade física devem ser submetidos a exames não destrutivos ou a outras metodologias de avaliação de integridade definidas por PLH, considerados os mecanismos de danos previsíveis.
No glossário da norma, o plano de inspeção é descrito como a descrição das atividades, incluindo os exames e testes a serem realizados, necessários para avaliar as condições físicas dos equipamentos, considerando o histórico e os mecanismos de danos previsíveis. E a vida remanescente é definida como a estimativa de tempo restante de vida de um equipamento a partir de dados coletados em ensaios e testes destinados a monitorar os efeitos dos mecanismos de danos atuantes. É essa a função do ultrassom dentro do processo: alimentar uma estimativa, não produzir um número solto.
Há um ponto do calendário em que essa demanda aparece com força. O subitem 13.4.4.6 determina que, no máximo ao completar vinte e cinco anos de uso, na sua inspeção subsequente, as caldeiras sejam submetidas a uma avaliação de integridade com maior abrangência, de acordo com códigos ou normas aplicáveis, para determinar a sua vida remanescente e novos prazos máximos para inspeção, caso ainda estejam em condições de uso. Chegar nesse marco sem série histórica de espessura é começar a avaliação do zero.
O ultrassom que fica recomendado e nunca acontece
Esta é a falha mais comum, e ela não é técnica. O inspetor está em campo, encontra alguma coisa que pede ensaio complementar e não tem o equipamento consigo naquele momento. A conduta correta é registrar no relatório que o ensaio precisa ser feito. A recomendação é emitida, o relatório é entregue, e ela fica lá.
Meses depois, na inspeção seguinte, o mesmo apontamento reaparece. Ninguém decidiu não fazer o ensaio: ele apenas nunca teve responsável nem data. O subitem 13.3.8.2 existe exatamente para isso, ao determinar que as recomendações decorrentes das inspeções de segurança sejam registradas e implementadas pelo empregador, com a determinação de prazos e responsáveis pela execução. Um ensaio complementar recomendado é uma recomendação como qualquer outra, e ela precisa entrar no plano de ação com dono, prazo e evidência de conclusão.
É por isso que a medição de espessura entra como praxe no escopo das inspeções da Artemec e o ultrassom industrial está disponível para o ensaio complementar, com a pendência acompanhada até a evidência de execução em vez de ser devolvida como observação no fim do relatório.
Os limites que precisam ser ditos antes da contratação
Nenhum método serve para tudo, e o ultrassom não é exceção. A aplicabilidade depende do material, da geometria da peça, da condição e do preparo da superfície, do acesso disponível e da descontinuidade que está sendo procurada. Materiais e formas construtivas diferentes se comportam de maneira diferente diante do mesmo feixe, e é por isso que a definição do método, da técnica e do critério de aceitação cabe ao PLH, conforme o código adotado, e não à disponibilidade do equipamento na mala do inspetor.
O outro limite é de leitura. Um resultado de ultrassom só sustenta conclusão quando vem com o ponto de medição identificado, o equipamento correto associado e a comparação com a referência que dá sentido ao valor. Medição sem posição registrada não vira série histórica, e sem série histórica não há taxa de deterioração nem previsão de vida remanescente.
Serviço de ultrassom industrial contratado solto
Comprar o ensaio isolado costuma parecer a saída rápida, e devolve exatamente o que foi comprado: um resultado. Quem recebe esse resultado ainda precisa decidir o que ele significa para a continuidade operacional, para o escopo da próxima parada e para o prazo do equipamento. Essa decisão é técnica e tem responsável definido pela norma.
O caminho que produz decisão começa na pergunta anterior ao ensaio: qual mecanismo de dano está sendo procurado, em qual equipamento, e qual evidência o relatório precisa carregar. Com isso definido, o exame entra no plano de inspeção, o resultado entra no relatório com o critério declarado, e o que sobrou de pendência entra no plano de ação com prazo e responsável.
Referência normativa: consulte a NR-13 vigente publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O enquadramento definitivo de cada equipamento e a escolha de exames e testes dependem da análise do Profissional Legalmente Habilitado (PLH) e dos códigos aplicáveis.
O que define se o ultrassom vai devolver informação útil
Mecanismo de dano procurado
Perda de espessura por corrosão, descontinuidade subsuperficial ou trinca em região de solda.
Material e geometria
Comportamento da peça diante do método e adequação da técnica escolhida.
Preparo da superfície
Condição da região examinada, que determina o acoplamento e a leitura.
Acesso ao ponto
Possibilidade real de posicionar a sonda na região que interessa.
Histórico disponível
Medições anteriores no mesmo ponto, que transformam valor isolado em taxa de deterioração.
Critério de aceitação
Referência do código adotado, declarada junto do resultado.
Ultrassom, exame interno e recomendações
Métodos e critérios de ensaio
Compare inspeção visual e ensaios não destrutivos pelo defeito procurado.
Ler artigoAcompanhamento da execução
Veja as conferências que decidem se a junta vai ser aceita.
Ler artigoExame interno de acesso difícil
Entenda o que o acesso visual remoto resolve e o que ele não substitui.
Ler artigoGestão de recomendações
Transforme o ensaio complementar recomendado em ação com responsável e prazo.
Conheça o serviçoPerguntas frequentes
Qual a diferença entre ultrassom de solda e medição de espessura por ultrassom?
São dois usos do mesmo princípio, com finalidades distintas. A medição de espessura informa quanto material restou no ponto examinado, o que permite avaliar a corrosão e verificar se a espessura remanescente suporta a pressão de projeto. O exame de solda procura descontinuidades que não estão abertas à superfície, fora do alcance de ensaios superficiais.
Por que o líquido penetrante não substitui o ultrassom?
O líquido penetrante detecta descontinuidades abertas à superfície, porque depende do penetrante entrar por capilaridade em uma abertura acessível. Uma trinca interna ao material, ou situada do lado oposto ao examinado, não é alcançada por esse ensaio. A escolha do método depende da descontinuidade procurada e é definida por PLH conforme os códigos aplicáveis.
O ultrassom serve para qualquer material?
A aplicabilidade depende do material, da geometria da peça, da condição da superfície e do acesso ao ponto de exame. Por isso o subitem 13.3.7.5 da NR-13 atribui ao PLH a definição dos parâmetros dos exames e testes de controle da qualidade, de acordo com códigos ou normas aplicáveis, e o item 13.3.4 sujeita os exames da inspeção ao mesmo critério técnico.
O que fazer quando o relatório recomenda ultrassom posterior?
Tratar como recomendação formal. O subitem 13.3.8.2 determina que as recomendações decorrentes das inspeções de segurança sejam registradas e implementadas pelo empregador, com a determinação de prazos e responsáveis pela execução. Sem essa atribuição, o ensaio complementar tende a reaparecer no ciclo seguinte como o mesmo apontamento.
Fale com a Artemec
Descreva o equipamento, o mecanismo de dano suspeito e o histórico de medições disponível para avaliar o exame adequado.

